Tudo se relaciona: as coisas, entretanto, não estão isoladas dos fenômenos que as cercam, mas estabelecem liames com as realidades exteriores, pois tudo se relaciona. Um fenômeno só é compreendido e explicado quando considerado do ponto de vista de sua ligação indissolúvel com os fenômenos que o cercam, quando considerado tal como ele é condicionado pelos fenômenos que o cercam. Nenhum fenômeno pode ser compreendido, quando encarado isoladamente, fora dos fenômenos circundantes. Um exemplo dessa característica da dialética é o processo de interação entre os seres vivos (plantas, animais) com suas condições de existência, seu meio ambiente. A troca de energia entre os seres vivos e o meio ambiente é uma  maneira que utilizamos inclusive para definir o que é  vida orgânica.
Contradição inovadora: a contradição além de ser interna é inovadora, isto é, o novo emerge do velho como resultado de uma luta que culmina com a morte do velho; não é, pois, uma síntese, mas vitória de um e morte do outro. É na criança e contra ela que desenvolve o adolescente; é no adolescente e contra ele que amadurece o adulto. Foi no seio da velha sociedade feudal, e contra ela, que cresceram as forças novas de produção e as correspondentes relações de produção, das quais deveria sair a sociedade capitalista.
Unidade dos contrários: a contradição encerra pelos menos dois termos que se opõem, mas que são inseparáveis (sem vida, não há morte; sem morte não há vida; sem o fácil, não há o difícil; não há burguesia, sem proletariado; não há proletariado sem burguesia). A dialética jamais separa os contrários; ela os apresenta em sua unidade indissociável. Quando o proletariado, por exemplo, desaparecer como classe explorada, então a burguesia desaparecerá como classe exploradora. A unidade dos contrários é condicionada, temporária, passageira, relativa, mas a luta dos contrários, que reciprocamente se excluem, é absoluta.
A contradição é universal, tanto no mundo físico quanto na sociedade, desde as formas de atração e repulsão do mundo físico às contradições sociais entre homens e natureza, e entre classes sociais distintas e antagônicas. A contradição pode desenvolver-se e tornar-se antagônica.  Antagonismo é o momento mais agudo da contradição, o momento da luta aberta entre os contrários, cuja resolução será sempre a morte do velho e a emergência do novo. A contradição, a luta dos contrários, é o motor de toda transformação.
Onde houver diferença já há uma contradição, a diferença é uma contradição. Desde que apareceram a burguesia e o proletariado, nasceu uma contradição entre Capital e Trabalho, mas, naquela época, as contradições ainda não tinham se agravado o bastante para que fossem percebidos os fundamentos do modo de produção capitalista, sua lógica de produção e reprodução das condições da vida material  da sociedade burguesa. Por isso, tornava-se difícil entender os males do capitalismo antes dos anos vinte do século XIX.   Quando, porém, o modo de produção capitalista desenvolveu seus potenciais, e suas contradições se agravaram, tornou-se possível para Marx e Engels compreendê-lo, estudá-lo cientificamente. Como dizia Hegel,  a coruja de Minerva só levanta vôo ao anoitecer.
A especificidade das contradições: segundo Mao Tse-Tung, toda forma de movimento contém suas contradições específicas, constituindo a natureza específica dos fenômenos, o que o distingue dos outros fenômenos. É ainda nisto que reside a causa interna ou a base da diversidade infinita das coisas e dos fenômenos que existem no mundo. Uma mesma quantidade de calor aplicada a um ovo fertilizado ou a um copo d'água ocasionará eventos distintos, pois cada aspecto da realidade tem seu movimento próprio e, portanto, suas contradições próprias. É a natureza especifica de cada etapa do movimento da matéria que explica a diversidade das ciências.
O universal e o específico são inseparáveis: partindo-se do específico, da experiência sensitiva, do estudo metódico, pode-se chegar ao universal, às relações múltiplas com os fenômenos que cercam e condicionam o especifico estudado; por outro lado, a inteligência do universal permite o aprofundamento do conhecimento sobre o mesmo específico estudado.
Foi estudando as contradições específicas do capitalismo de sua época que Marx descobriu a lei universal da correspondência entre relações de produção e forças produtivas. Conseguiu, então, compreender as contradições específicas dos regimes sociais anteriores ao capitalismo, uma vez que essas contradições decorrem da lei universal da correspondência, acima mencionada; foi-lhe possível um estudo cada vez mais aprofundado, cada vez mais específico, do próprio capitalismo no seu movimento subseqüente.
O motor do pensamento: Politzer nos ensina que a luta dos contrários, além de ser o motor da Historia, é motor do pensamento. O pensamento é um momento do desenvolvimento  do acontecer universal.  A dialética do pensamento é, em sua essência, da mesma natureza que a dialética do mundo; sua lei fundamental é, pois, a contradição. E citando Lênin, ele afirma que o conhecimento é o processo pelo qual o pensamento se aproxima, infinita e eternamente, do objeto. O reflexo da natureza no pensamento humano deve ser compreendido, não de maneira morta, não sem movimento, não sem contradições, mas no processo eterno do movimento, do nascimento das contradições e de sua resolução.
Sobre Filosofia: Filosofia é um modo de conhecimento que exprime sob sua forma mais geral as leis fundamentais da natureza e da história. Ela pode ser entendida como uma concepção geral do mundo a partir da qual os homens podem deduzir certa forma de conduta. Desde logo, porém, devemos nos lembrar que não há concepções filosóficas neutras, convenientes a todas as classes sociais em luta. Ao contrário, como já dizia Marx, as idéias dominantes de uma época são, geralmente, as idéias da classe dominante. Em outras palavras, uma concepção filosófica de mundo geralmente está a serviço de uma classe social e em prejuízo de outras.
A Filosofia tem influência total em nossa vida: como dissemos acima uma concepção de mundo influencia a  maneira de pensar, sentir e agir  das pessoas, em face da realidade que nos cerca.
A Filosofia está "'extinta?" Extinta ela não está, porém a sociedade capitalista na atual etapa de seu desenvolvimento impõe a necessidade de especialização profissional das pessoas, e o próprio conhecimento cientifico, hoje, só tem sentido se dele derivar uma aplicação tecnológica prática e que resulte em lucro para os empresários que defendem o sistema  capitalista. Daí a especialização da própria Ciência, impedindo que os homens tenham uma visão global do mundo, e que possam enxergar o que é mais conveniente para a humanidade.
Filosofia e Religião: Há divergência entre o pensamento filosófico e o religioso: a religião parte de dogmas, isto é, de pontos de doutrinas definidos como expressão legítima e necessária de uma fé. O pensamento religioso afirma a existência de um tipo de conhecimento que foge à compreensão racional. A religião é finalista e todas as coisas para ela têm uma razão de ser, de existir, mas nem sempre sabemos porquê. O conhecimento dessas verdades somente viria pela revelação divina. A Filosofia, ao contrário, difere da religião por ser racional, crítica e sistemática, submetendo-se ao contraditório. Não nega o conhecimento cientifico adquirido, mas apóia-se nele para adiantar-se ao próprio conhecimento científico.
O que mudou no pensamento filosófico de antigamente para o de hoje em dia? A Filosofia antiga, também chamada clássica, era mais especulativa, dependia unicamente do desenvolvimento do raciocínio, pois a própria Ciência ainda não havia se desenvolvido suficientemente. Com o surgimento da Dialética Materialista de Marx e Engels, o pensar filosófico assume outra postura. A Filosofia deixou de ser apenas descritiva, preocupada em conceber o mundo, e passou a ser a Filosofia da ação, isto é,  um conhecimento, um instrumento  colocado nas mãos dos trabalhadores para a transformação de suas próprias realidades sociais. Disse Marx: os filósofos de todos os tempos têm interpretado o mundo de mil maneiras, mas o que importa mesmo é transformá-lo.
Quais os principais filósofos do passado? Dos clássicos, citamos os materialistas pré-socráticos, Heráclito (540-480 a.C) e Demócrito (470-370 a.C); dos socráticos, Platão, Aristóteles; Mais recentemente, Kant (1724-1804) e Hegel (1770-1831).
A principal preocupação da Filosofia hoje em dia é pensar a situação humana dentro de um contexto histórico concreto, tal como no capitalismo. Em outros termos, os limites da  consciência social do homem dentro de um contexto histórico concreto e sua responsabilidade social em face dessa realidade. Há ainda preocupações filosóficas mais setoriais como a questão: ética e  política; questões existenciais resultantes de falta de respostas para a triste situação de vida da imensa maioria da população; questões ligadas à ecologia e o perigo de extermínio da humanidade.
Por que devemos estudar Filosofia?  Porque a Filosofia ensina a pensar, e o homem que pensa luta pela construção de uma sociedade mais justa, onde não haja  exploração de classes.
O que é Ciência? A Ciência  é definida pelos próprios cientistas como um conjunto de conhecimentos socialmente adquiridos ou produzidos, historicamente acumulados, dotados de universalidade e objetividade que permitem sua transmissão, e estruturados com métodos, teorias e linguagem próprias, que visam compreender e orientar as atividades humanas.
A Ciência critica incessantemente seus próprios resultados, a fim de poder superá-los. Para melhor compreender seu objeto de estudo, ela se ramificou em áreas específicas do saber. Por um lado, avançou muito, descobrindo as leis próprias de determinados setores da realidade. Por outro, dificultou a possibilidade do conhecimento integrado, o que tem levado os cientistas a terem uma visão parcial das realidades do mundo e a desenvolver, em conseqüência disso, pesquisas e armas de destruição que  têm servido aos interesses contrários à paz e à solidariedade entre os homens. O conhecimento  integrado somente é possível por meio do ensino do materialismo dialético que desnuda os interesses de classe e por isso mesmo está proibido nas universidades do mundo.
Construção do conhecimento: Piaget interessava-se em saber como o organismo se adapta ao meio. Ele concluiu que a criança possui uma lógica de funcionamento mental que difere qualitativamente da do adulto e se propôs a investigar por meio de quais mecanismos essa lógica infantil se transforma. Para Piaget, o desenvolvimento é um processo contínuo de trocas entre o organismo vivo e o ambiente, no qual a noção de equilíbrio é o alicerce da teoria. Emília Ferreiro, seguindo os passos de Piaget, diz que a criança, toda vez que desconhece um fato (desequilíbrio), tentará dar um salto e superar a defasagem (volta ao equilíbrio).
Vigotsky, por sua vez, avaliou que o pensamento é construído paulatinamente num ambiente que é histórico e social. O processo do pensamento é, portanto, despertado pela vida social e pela constante comunicação entre as pessoas, permitindo a assimilação da experiência de muitas gerações.
Tanto Piaget como vigotsky imaginam a criança como um ser atento, que cria hipóteses sobre seu ambiente. Mas, enquanto Piaget enfatiza a maturação biológica, Vigotsky tem sua atenção voltada para o ambiente social. Piaget apregoa que o desenvolvimento segue uma seqüência de estágios. Vigotsky, ao salientar o ambiente social em que a criança nasceu, reconhece que, ao variar o ambiente, o desenvolvimento também variará.
Piaget acredita que os conhecimentos são elaborados espontaneamente pela criança, de acordo com seu estágio de desenvolvimento. A visão peculiar (egocêntrica) que as crianças têm sobre o mundo vai, progressivamente, aproximando-se da concepção dos adultos: torna-se socializada, objetiva. Vigotsky discorda de que a construção do conhecimento proceda do individual para o social: a criança, para ele, desde o nascimento, vai formando uma visão desse mundo pela interação com os adultos. Dessa forma, procede-se do social para o individual.
Piaget acredita que a aprendizagem se subordina ao desenvolvimento. Com isso, minimiza o papel da interação social. Vigotsky, ao contrário, avalia que desenvolvimento e aprendizagem são processos que se influenciam reciprocamente.
Segundo Piaget, o pensamento aparece antes da linguagem, que apenas é uma de suas formas de expressão (a formação do pensamento depende da coordenação dos esquemas sensórios-motores e não da linguagem). Essa só pode ocorrer depois que a criança atingiu determinado nível de habilidades mentais, subordinando-se aos processos de pensamento.
Vigotsky diz que pensamento e linguagem são processos interdependentes. A aquisição da linguagem pela criança modifica suas funções mentais: dá uma forma definida ao pensamento, possibilita o aparecimento da imaginação, o uso de memória e o planejamento da ação. Para ele, a linguagem sistematiza a experiência das crianças e por isso adquire função central no desenvolvimento cognitivo.

Há aqueles que lutam um dia; e por isso são  bons; Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; Porém, há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.
O Analfabeto Político (Bertold Brecht)

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, corrupto e lacaio dos exploradores do povo.